Era primavera. Talvez não quisesse ver as flores nem sentir o perfume no ar. Trancou-se. Retomando assim o passado ... o seu triste passado. Iluminado pelas estrelas "decadentes" que beiravam a rua, que cheirava a cerveja e a fumaça de cigarro, sem contar as bitucas úmidas espalhadas a longo da sarjeta. A primavera talvez fosse para ela o martírio e o sofrimento da perda da esperança e da vida. Foi exatamente no desabrochar das flores que ele apareceu. Sorriso quente. Olhos enluarados. A paixão. O Romance. O suspiro. Fez-se mulher novamente. Amável. Afável. Angelical Esqueceu por completo as noites em claro e o quanto mendigava por um corpo quente buscando, assim, enganar-se e aquecer seu coração em míseros minutos de satisfação. Pegou-a pela mão. Caminharam juntos lado a lado. Sol a sol. Descobriram-se. Renasceram ... primavera após primavera. E no florir de setembro quando o ar perfumou-se ele se tornou luz. Encantou-se. Aromatizou. Ela se trancou em su...
"Ficou ali sentada, os olhos fechados, e quase acreditou estar no País das Maravilhas, embora soubesse que bastaria abri-los e tudo se transformaria em insípida realidade…" (Lewis Carroll - Alice no País das Maravilhas)

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