quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Autorretrato



E que venha
Com seus cabelos de fogo
Olhos esmeralda
Esbravejando.
Trovejando.

Avassaladora.
Derramando água
Em dia de domingo
Consumindo.

Cheia de incertezas
Instabilidade.
Confrontando dúvidas
Deixando saudade.

Movida pela emoção
Parecendo um trovão
Lançando sua espada
Sem perdoar nada.

Tenha compaixão
E não esqueça seu coração
Coração este que se fechou
Trancou.
Mas ainda não parou.



domingo, 20 de janeiro de 2013

Vidraça




Era primavera. Talvez não quisesse ver as flores nem sentir o perfume no ar.
Trancou-se. Retomando assim o passado ...  o seu triste passado.
Iluminado pelas estrelas "decadentes" que beiravam a rua, que cheirava a cerveja e a fumaça de cigarro, sem contar as bitucas úmidas espalhadas a longo da sarjeta.
A primavera talvez fosse para ela o martírio e o sofrimento da perda da esperança e da vida.
Foi exatamente no desabrochar das flores que ele apareceu. Sorriso quente. Olhos enluarados. A paixão. O Romance. O suspiro.
Fez-se mulher novamente.
Amável. Afável. Angelical
Esqueceu por completo as noites em claro e o quanto mendigava por um corpo quente buscando, assim, enganar-se e aquecer seu coração em míseros minutos de satisfação.
Pegou-a pela mão.
Caminharam juntos lado a lado. Sol a sol. Descobriram-se. Renasceram ... primavera após primavera.
E no florir de setembro quando o ar perfumou-se ele se tornou luz. Encantou-se. Aromatizou.
Ela se trancou em sua dor e murchou. Despetalou-se. Entregou-se ao sofrimento. Vagou.
Já desconhecia por completo o cheiro de bebida, cigarro e também apagou do olfato o cheiro de orquídea e orvalho.
Sentou-se. Parou. Chorou. Apenas observou pela vidraça o vento espalhar o pólen multiplicando o colorido, a vida, a esperança, o calor e a lágrima a rolar em sua face.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Risco... Rabisco... Contornos...







Risco
Rabisco
Um papel
Um contorno
Uma letra
Um dilema
Várias indagações
Muitos problemas
Nada se resolve
Tudo me absorve.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Pensamentos Insanos




Pele
Boca
Saliva...

...Calor
Palpitação
Alegria...

...Movimento
Suor
Euforia...

...Leveza
Prazer
Satisfação

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Paralelepípedo




Tarde de domingo e a garoa fina caia sobre a cidade, umedecendo o asfalto, as plantas e também a melancolia e a ansiedade de minha alma. Ansiedade essa que não mais eu conseguia dominar, reprimir ou esconder; e em uma atitude espontânea entrei no carro, e me dirigi até o local que minha alma tanto buscava.
Passei por uma praça com árvores frondosas de um verde intenso, desci a rua, observei a padaria de muro azul na esquina do lado esquerdo, continuei descendo e avistei o nome da rua; meu coração bateu forte, acelerado, as mãos trêmulas e suavam frio, o riso nos lábios, a sensação de adolescência, bem típica de uma menina de 14 anos quando para na frente do garoto de que gosta, e o sorriso bobo toma-lhe a face os olhos brilham, cintilam, praticamente gritam um turbilhão de emoções do momento que nos deixa de pernas bambas, pois foi assim que fiquei.
Quando entrei na rua de paralelepípedo estreita e observei as casas uma ao lado da outra, uma construção de arquitetura antiga, na hora me veio à mente o que sempre sonhei, a rua com casas sem portão, que lembra uma vilinha romântica e aconchegante.
Continuei a andar e avistei ao longe a casa de cor azul com janelas brancas, na pequena sacada "bandorações" com mantras e imagens sagradas impressas em tecido e quando ondulam livre com o vento distribuem as orações e os mantras nelas inscritas gerando bênçãos e benefícios para todos os seres.
O número pintado em branco contrastava com o azul intenso e eu não conseguia esconder o encantamento de observar a casa e a rua.
Subi os dois degraus diante da pequena varanda e parei em frente à porta de madeira; do lado esquerdo um pequeno toco de árvore como se fosse um banquinho, um mantra acima da porta; fiquei parada sentindo a energia que tomava conta do meu íntimo, questões de segundos fiquei ali somente observando...sentindo.
Ouvia-se o borborinho das pessoas conversando, uma alegre reunião de família, algumas casas tinham luzes acessas e via-se o vulto dos corpos a passear por entre os cômodos.
Eu não poderia continuar ali parada, quando percebi que estava sendo observada, levantei o braço e levemente levei o dedo indicador até a campainha, que apertei em um misto de euforia, timidez e vergonha; como se estivesse a tocar quem eu tanto almejava.
Virei-me, entrei no carro, fui deixando para trás a casa azul, a romântica rua de paralelepípedos com o sorriso tímido nos lábios e a felicidade das emoções obtidas naquela fração de segundos..

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Baú de retalhos



Conheceu. Os olhos brilharam. Mãos trêmulas. Batimento acelerado.
Talvez fisicamente ele não fosse realmente como ela imaginara, apesar de possuir um corpo atlético.
Mas.
Seu cérebro a encantou, afinal ele sabia como conduzir uma conversa, era chamado "o advogado do diabo".
Acabou por casar-se. Mudança. Vida nova. Outro ambiente.
Ela deixou emprego, carreira, amigos e família. Só não imaginou ter que abrir mão da sua personalidade, liberdade e autoestima.
Era uma bela mulher. Vestido. Salto alto. Cabelos cuidados. Batom. Rímel.
Com o passar dos dias talvez porque ela se destacasse das demais mulheres de seu convívio acabou por matar-se.
Tornou-se outra.
Seus cabelos agora sempre preso, trocou os vestidos por bermudas, calças e camisetas; seus sapatos já não os calçava mais.
O batom envelheceu. O rímel secou.
Agora ele se sentia feliz, ela se anulou como mulher. Enxugou.Endureceu. Acabou.
Ninguém mais a olhava, nem o espelho a encarava.
Ela sentia saudade da mulher que fora; das unhas coloridas que traziam vida e sensualidade e percebeu que a mulher por quem era tão apaixonada, e era tão apaixonante gostaria de voltar a cena.
Mas.
Não conseguia. Não se amava mais.
Repensando sua vida tentava descobrir onde ela não percebeu que as promessas de não aprisionar ou deixá-la continuar sua vida eram vãs. Ele parecia apenas que precisava de um bichinho de estimação, ou nem isso, porque até mesmo um animal apreciado e querido necessita de carinho e uma certa liberdade para viver.
As pessoas que estavam longe tentavam fazer voltar aquela mulher deixada no fundo de um baú.
Presenteavam a mesma com roupas coloridas. Batom. Rímel.
Mas.
Ela se trancou em seu baú. Tosquiou seus cabelos e vestiu-se de retalhos.