quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Talvez

Talvez, realmente esse sentimento seja passageiro.
Talvez,o amor passe, o carinho acabe e a admiração cesse.
Talvez, um novo amor floresça na mesma intensidade e cresça.
Talvez, o abraço até hoje esperado não tivesse o aconchego sonhado e idealizado.
Talvez, as palavras tenham sido vãs e palavras vãs são como o vento apenas vão com a mesma rapidez que chegam.
Talvez, as palavras não foram ditas com amor e sim no momento do calor do sentimento, da conquista, e, dessa forma, não virou rocha. Mas criou em mim esperança, cultivadas baseadas na ilusão de suas palavras vazias.
Talvez, tenha chegado o momento de desligar-me de ti. Os anos passaram ... estão passando e ainda continuo aqui agarrada ao naufrago do amor dedicado a ti.
Talvez, eu não queira afundar, por isso preciso nadar, levantar e respirar.
Talvez, morrer por amor não compense a dor.
Talvez, aprendo com você que amores vem e vão. Sem apego assim afasto o sentimento.
Talvez, um dia você veja que amor é só poema. E poema para poucos, talvez somente para os loucos. Amor tem apreço, carinho, aconchego e respeito; não vive de trocas e oportunidades expostas, ou talvez, eu esteja errada e o amor realmente seja um jogo interessante para quem quer apenas um amante.
Talvez, eu apenas esteja vagando sobre essa mesa com uma caneta esperando um fim que nunca chega.
Talvez, eu apenas ESQUEÇA. E ACORDE antes que anoiteça!




sexta-feira, 31 de maio de 2013

A Lenda do Pássaro João-de-barro

O amor tudo persiste... resiste... enfrenta... e realiza.




Contam os índios que, há muito tempo, numa tribo do sul do Brasil, um jovem se apaixonou por uma moça de grande beleza.

 Melhor dizendo: apaixonaram-se. Jaebé, o moço, foi pedi-la em casamento. 

O pai dela perguntou:

- Que provas podes dar de sua força para pretender a mão da moça mais formosa da tribo?

- As provas do meu amor! - respondeu o jovem.O velho gostou da resposta mas achou o jovem atrevido. 

Então disse:

- O último pretendente de minha filha falou que ficaria cinco dias em jejum e morreu no quarto dia.

- Eu digo que ficarei nove dias em jejum e não morrerei.

Toda a tribo se espantou com a coragem do jovem apaixonado. O velho ordenou que se desse início à prova.Enrolaram o rapaz num pesado couro de anta e ficaram dia e noite vigiando para que ele não saísse nem fosse alimentado. A jovem apaixonada chorou e implorou à deusa Lua que o mantivesse vivo para seu amor. O tempo foi passando. 

Certa manhã, a filha pediu ao pai:

- Já se passaram cinco dias. Não o deixe morrer.

O velho respondeu:

- Ele é arrogante. Falou nas forças do amor. Vamos ver o que acontece.E esperou até até a última hora do novo dia.

 Então ordenou:

- Vamos ver o que resta do arrogante Jaebé. 

Quando abriram o couro da anta, Jaebé saltou ligeiro. Seu olhos brilharam, seu sorriso tinha uma luz mágica. Sua pele estava limpa e cheirava a perfume de amêndoa. Todos se espantaram. E ficaram mais espantados ainda quando o jovem, ao ver sua amada, se pôs a cantar como um pássaro enquanto seu corpo, aos poucos, se transformava num corpo de pássaro!

E exatamente naquele momento, os raios do luar tocaram a jovem apaixonada, que também se viu transformada em um pássaro. E, então, ela saiu voando atrás de Jaebé, que a chamava para a floresta onde desapareceu para sempre. 

Contam os índios que foi assim que nasceu o pássaro joão-de-barro. A prova do grande amor que uniu esses dois jovens está no cuidado com que constroem sua casa e protegem os filhotes. E os homens amam o joão-de-barro porque lembram da força de Jaebé, uma força que vinha do amor e foi maior que a morte.

E nos dias que ela se sentia só...
A vida se coloria de vermelho e as copas das árvores reluziam o crepúsculo.






sexta-feira, 24 de maio de 2013


O terceiro nó é seu, mas não pedi você para mim. Pedi para a vida andar no seu rumo, de acordo com as suas leis. Pedi para ser feito o melhor para nós dois, mesmo que isso me mantenha longe de você.
Clarissa Corrêa



segunda-feira, 13 de maio de 2013

Só não me acorda. Se for sonho, me deixa acordar só quando eu souber o que é isso que eu sinto. Que nome tem esse negócio que deixa o coração com um sorriso de orelha a orelha.
Clarissa Corrêa



quarta-feira, 20 de março de 2013

Vida... Louca... Vida Breve... Vida Simples... Vida entregue...

Prefiro a ingenuidade, a modéstia e a inocência de um olhar, de um sorriso real e infinito, os vários versos de Vinícius, o calor de um ombro amigo, o arrebatar de uma paixão, o pulsar do coração.
O que dura é simplicidade. É amor.
A vida sincera e eterna. A busca singela e fraterna.
Viver requer coragem, sinceridade e simplicidade. Requer ser eterno porque a caminhada é ousada e a vida... a vida é guiada por nossos passos. E a simplicidade...a simplicidade é algo Divino muitos querem, mas poucos conseguem.



Então....



"Seja alguém simples. Seja algo que você ama e entende. Esqueça o resto... Tudo que você precisa está na sua Alma... E em seu Coração." Caio F. de Abreu



terça-feira, 19 de março de 2013

I'll Never Love This Way Again



Eu ... Eu mesma ... e sem MENTIRAS

Acho incrível a minha capacidade de poder chegar e enxergar além daquilo que me é dado como realidade. Não consigo viver de mentiras e tenho um péssimo defeito, mas isso é um segredo que manteremos aqui entre nós. Não sei como expor uma das minhas maiores fraquezas ... vai lá: EU AMO DESCOBRIR A MENTIRA ALHEIA. Isso mesmo eu não posso desconfiar que alguém está mentindo que o meu alerta vermelho começa a piscar e bingo no final de minha busca eu descubro e vejo materializar-se e tornar-se concreto as minhas suspeitas, as desconfianças e a certeza de mais uma vez não estar errada.

Não me importo se a pessoa não tem dinheiro, mas é necessário caráter e conduta.
Não me importo se ao menos uma vez na vida ela precisou omitir algo para proteger quem tanto amava, mas a mentira não deve virar um bolo de neve e a partir desse momento tornar-se a sua realidade a ponto de não saber mais qual é a vida real ou a vida projetada na falsidade e nesse emaranhado de engano propositado.
Não me importo se a mesma não é tão culta, mas sabe na sua simplicidade expressar o que vê do mundo e dos outros.
Não me importo se não é simpática, mas saiba sorrir com sinceridade.
Não me importo se o caminho é difícil desde que a caminhada seja produtiva e me faça crescer.
Não me importa os tropeços, mas sim o que eu aprendi com cada tombo.

E nessa caminha de amizades rápidas e passageiras ao longo dos anos eu pude aprender quem está realmente ao meu lado. E essas pessoas são  sinceras na sua dor de cabeça. No seu mau humor e até mesmo quando diz "hoje estou brava com você e é melhor não nos vermos". Até mesmo quando dizem que preciso crescer porque estou com um comportamento um tanto quanto adolescente. E é isso que eu levo comigo: A VERDADE. Essa verdade de amar, sentir raiva e até detestar às vezes. Porém, sem precisar falar mal por trás ou armar para mostrar quem é a pessoa que você acabou de conhecer.

Eu vivo tudo intensamente e tenho paixão por pessoas que sabem o que é uma amizade mesmo isso sendo raro hoje em dia. Eu posso dizer que dos amigos que tive ... poucos sobraram... Mas nesse pouco selecionados por mim eu encontro minha paz e aconchego... eu chego e ali estou em um Porto Seguro. Aos poucos amigos que tenho quero dizer que por vocês vale a pena as marés, as tormentas e as tempestades porque sempre FORAM SINCEROS e SINCERAS comigo. E aos outros que construíram castelos ... as paredes ruíram porque amizade é sinceridade e doação acima de tudo.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Tempo...

Sempre ouvi que o tempo para quem espera demora a passar. Infelizmente ou felizmente eu NUNCA acreditei nisso. Sempre acreditei que um sorriso e uma boa lembrança faz o tempo voar porque a vontade de rever quem o faz bem transforma anos em horas, semanas em minutos e dias em segundos é assim que prefiro descrever o tempo de quem espera por algo que o faz sorrir, sonhar, objetivar e crescer. A experiência adquirida nesses anos não me ensinou a ser paciente infelizmente e nem mudar de ideia sobre os meus propósitos. Esses anos somente fizeram-me ver que realmente eu sempre posso contar com o amigo, as palavras ácidas, os puxões de orelha que me fazem refletir e crescer. Os anos passaram e eu ainda o ouço sussurrando em minha mente e meus ouvidos. Reta final...final da caminhada...e como tudo é um ciclo...início de uma nova vida...de novas perspectivas...buscas e realizações... porque os questionamentos nunca cessam e os desejos não se acabam. E o tempo... O tempo passa conforme desejamos e da maneira que conduzimos. 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Filosofando Asneiras...



Hoje é Hoje.
Ontem é Ontem.
Amanhã é Amanhã.

Agora é agora.
Esquecimento e Lembrança.
Esperança e Confiança.

Imediatamente. A toda pressa.
Passado. Usado.
O porvir. O chegar. O acontecer.
O amanhã.
O cessar.



quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Autorretrato



E que venha
Com seus cabelos de fogo
Olhos esmeralda
Esbravejando.
Trovejando.

Avassaladora.
Derramando água
Em dia de domingo
Consumindo.

Cheia de incertezas
Instabilidade.
Confrontando dúvidas
Deixando saudade.

Movida pela emoção
Parecendo um trovão
Lançando sua espada
Sem perdoar nada.

Tenha compaixão
E não esqueça seu coração
Coração este que se fechou
Trancou.
Mas ainda não parou.



domingo, 20 de janeiro de 2013

Vidraça




Era primavera. Talvez não quisesse ver as flores nem sentir o perfume no ar.
Trancou-se. Retomando assim o passado ...  o seu triste passado.
Iluminado pelas estrelas "decadentes" que beiravam a rua, que cheirava a cerveja e a fumaça de cigarro, sem contar as bitucas úmidas espalhadas a longo da sarjeta.
A primavera talvez fosse para ela o martírio e o sofrimento da perda da esperança e da vida.
Foi exatamente no desabrochar das flores que ele apareceu. Sorriso quente. Olhos enluarados. A paixão. O Romance. O suspiro.
Fez-se mulher novamente.
Amável. Afável. Angelical
Esqueceu por completo as noites em claro e o quanto mendigava por um corpo quente buscando, assim, enganar-se e aquecer seu coração em míseros minutos de satisfação.
Pegou-a pela mão.
Caminharam juntos lado a lado. Sol a sol. Descobriram-se. Renasceram ... primavera após primavera.
E no florir de setembro quando o ar perfumou-se ele se tornou luz. Encantou-se. Aromatizou.
Ela se trancou em sua dor e murchou. Despetalou-se. Entregou-se ao sofrimento. Vagou.
Já desconhecia por completo o cheiro de bebida, cigarro e também apagou do olfato o cheiro de orquídea e orvalho.
Sentou-se. Parou. Chorou. Apenas observou pela vidraça o vento espalhar o pólen multiplicando o colorido, a vida, a esperança, o calor e a lágrima a rolar em sua face.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Risco... Rabisco... Contornos...







Risco
Rabisco
Um papel
Um contorno
Uma letra
Um dilema
Várias indagações
Muitos problemas
Nada se resolve
Tudo me absorve.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Pensamentos Insanos




Pele
Boca
Saliva...

...Calor
Palpitação
Alegria...

...Movimento
Suor
Euforia...

...Leveza
Prazer
Satisfação

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Paralelepípedo




Tarde de domingo e a garoa fina caia sobre a cidade, umedecendo o asfalto, as plantas e também a melancolia e a ansiedade de minha alma. Ansiedade essa que não mais eu conseguia dominar, reprimir ou esconder; e em uma atitude espontânea entrei no carro, e me dirigi até o local que minha alma tanto buscava.
Passei por uma praça com árvores frondosas de um verde intenso, desci a rua, observei a padaria de muro azul na esquina do lado esquerdo, continuei descendo e avistei o nome da rua; meu coração bateu forte, acelerado, as mãos trêmulas e suavam frio, o riso nos lábios, a sensação de adolescência, bem típica de uma menina de 14 anos quando para na frente do garoto de que gosta, e o sorriso bobo toma-lhe a face os olhos brilham, cintilam, praticamente gritam um turbilhão de emoções do momento que nos deixa de pernas bambas, pois foi assim que fiquei.
Quando entrei na rua de paralelepípedo estreita e observei as casas uma ao lado da outra, uma construção de arquitetura antiga, na hora me veio à mente o que sempre sonhei, a rua com casas sem portão, que lembra uma vilinha romântica e aconchegante.
Continuei a andar e avistei ao longe a casa de cor azul com janelas brancas, na pequena sacada "bandorações" com mantras e imagens sagradas impressas em tecido e quando ondulam livre com o vento distribuem as orações e os mantras nelas inscritas gerando bênçãos e benefícios para todos os seres.
O número pintado em branco contrastava com o azul intenso e eu não conseguia esconder o encantamento de observar a casa e a rua.
Subi os dois degraus diante da pequena varanda e parei em frente à porta de madeira; do lado esquerdo um pequeno toco de árvore como se fosse um banquinho, um mantra acima da porta; fiquei parada sentindo a energia que tomava conta do meu íntimo, questões de segundos fiquei ali somente observando...sentindo.
Ouvia-se o borborinho das pessoas conversando, uma alegre reunião de família, algumas casas tinham luzes acessas e via-se o vulto dos corpos a passear por entre os cômodos.
Eu não poderia continuar ali parada, quando percebi que estava sendo observada, levantei o braço e levemente levei o dedo indicador até a campainha, que apertei em um misto de euforia, timidez e vergonha; como se estivesse a tocar quem eu tanto almejava.
Virei-me, entrei no carro, fui deixando para trás a casa azul, a romântica rua de paralelepípedos com o sorriso tímido nos lábios e a felicidade das emoções obtidas naquela fração de segundos..

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Baú de retalhos



Conheceu. Os olhos brilharam. Mãos trêmulas. Batimento acelerado.
Talvez fisicamente ele não fosse realmente como ela imaginara, apesar de possuir um corpo atlético.
Mas.
Seu cérebro a encantou, afinal ele sabia como conduzir uma conversa, era chamado "o advogado do diabo".
Acabou por casar-se. Mudança. Vida nova. Outro ambiente.
Ela deixou emprego, carreira, amigos e família. Só não imaginou ter que abrir mão da sua personalidade, liberdade e autoestima.
Era uma bela mulher. Vestido. Salto alto. Cabelos cuidados. Batom. Rímel.
Com o passar dos dias talvez porque ela se destacasse das demais mulheres de seu convívio acabou por matar-se.
Tornou-se outra.
Seus cabelos agora sempre preso, trocou os vestidos por bermudas, calças e camisetas; seus sapatos já não os calçava mais.
O batom envelheceu. O rímel secou.
Agora ele se sentia feliz, ela se anulou como mulher. Enxugou.Endureceu. Acabou.
Ninguém mais a olhava, nem o espelho a encarava.
Ela sentia saudade da mulher que fora; das unhas coloridas que traziam vida e sensualidade e percebeu que a mulher por quem era tão apaixonada, e era tão apaixonante gostaria de voltar a cena.
Mas.
Não conseguia. Não se amava mais.
Repensando sua vida tentava descobrir onde ela não percebeu que as promessas de não aprisionar ou deixá-la continuar sua vida eram vãs. Ele parecia apenas que precisava de um bichinho de estimação, ou nem isso, porque até mesmo um animal apreciado e querido necessita de carinho e uma certa liberdade para viver.
As pessoas que estavam longe tentavam fazer voltar aquela mulher deixada no fundo de um baú.
Presenteavam a mesma com roupas coloridas. Batom. Rímel.
Mas.
Ela se trancou em seu baú. Tosquiou seus cabelos e vestiu-se de retalhos.